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Terça, 06 Março 2018 16:11

Afinal, a diabetes pode ser dividida em 5 grupos

Os tratamentos terão de ser adaptados tendo em conta a nova classificação, que ainda não está fechada. "Podem existir 500 subgrupos da doença no mundo, dependendo dos fatores genéticos e ambientais", alertam os cientistas

A diabetes - quando os níveis de açúcar no sangue ficam descontrolados - é normalmente dividida em Tipo 1 e Tipo 2, mas os cientistas descobriram recentemente que a doença, afinal, pode ser dividida em cinco grupos e que o tratamento pode (e deve) ser adaptado a cada um deles.

A investigação, assinada por cientistas da Suécia e da Finlândia, pode inaugurar uma nova era no tratamento de uma doença que afeta um em cada 11 adultos em todo o mundo, com consequências graves para a saúde, como o aumento do risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral, cegueira, insuficiência renal e amputação de membros.

Apesar da descoberta, os investigadores alertam que as mudanças no tratamento não serão imediatas.

A diabetes do Tipo 1 é uma doença do sistema imunológico, enquanto que a diabetes do Tipo 2 é normalmente encarada como uma doença que é consequência de um estilo de vida pouco saudável, uma vez que a obesidade pode afetar a maneira como a insulina funciona no organismo.

O estudo, realizado pelo Centro de Diabetes da Universidade de Lund, na Suécia, e no Instituto de Medicina Molecular da Finlândia, analisou 14.775 pacientes, o que incluiu uma análise detalhada ao sangue de cada doente.

Os resultados foram publicados no The Lancet Diabetes and Endocrinology e mostram como os diabéticos podem ser separados em cinco grupos distintos.

Grupo 1 - a diabetes autoimune severa encaixa-se na tipicamente chamada diabetes do Tipo 1: afeta pessoas jovens, aparentemente saudáveis e é uma doença que torna o organismo incapaz de produzir insulina;

Grupo 2 - apesar do relatório clínico destes doentes parecer muito semelhante ao dos pacientes do grupo 1 - eram jovens, tinham um peso saudável e o seu corpo lutava para produzir insulina - a doença não é autoimune;

Grupo 3 - os doentes com diabetes severa e resistente a insulina eram geralmente pessoas com excesso de peso e cujo corpo produzia insulina mas o organismo já não respondia a essa produção da hormona responsável pela redução da glicemia;

Grupo 4 - a doença é de baixa gravidade e foi observada principalmente em pessoas com excesso de peso, mas metabolicamente muito mais próximas do normal do que as do grupo 3;

Grupo 5 - doentes com diabetes "leve" mas que desenvolveram os sintomas quando eram significativamente mais velhos do que os pacientes dos outros grupos, o que torna os efeitos da doença no organismo menos severos.

"No cenário ideal, [os novos grupos] serão tidos em conta no diagnóstico e poderemos encontrar um tratamento melhor", disse à BBC Leif Groop, um dos investigadores, que revelou ainda que as três formas mais graves da doença podem vir a ser tratadas de forma mais agressiva do que as duas mais "leves".

Os pacientes do Grupo 2, que atualmente são classificados como diabéticos do Tipo 2 - não têm uma doença autoimune e, nestes casos, o estudo sugere que sua doença provavelmente é causada por um defeito nas células beta e não pela obesidade. O tratamento que costumam fazer é, afinal, mais adequado aos pacientes que atualmente são classificados como diabéticos do Tipo 1.

Os doentes do Grupo 2 apresentaram ainda um maior risco de cegueira, enquanto que os pacientes do Grupo 3 têm um maior risco de sofrerem de doença renal, por isso é que as novas classificações podem beneficiar de um rastreio geral do estado de saúde do paciente.

Victoria Salem, consultora e cientista do Imperial College de Londres, afirmou que a maioria dos especialistas já sabia que o Tipo 1 e o Tipo 2 não eram "um sistema de classificação extremamente exato".

"Este é definitivamente o futuro em relação à forma como pensamos e tratamos a diabetes", disse. No entanto, a nova classificação não irá mudar - pelo menos para já - o tratamento dos diabéticos.

"Ainda há uma quantidade [de grupos] massivamente desconhecida - podem existir 500 subgrupos da doença no mundo, dependendo dos fatores genéticos e ambientais. Esta primeira análise aponta cinco grupos, mas a classificação pode vir a crescer", alertou a cientista.

Do Diário de Notícias

 

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