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Sexta, 06 Novembro 2020 02:06

Médico brasileiro ganha Prêmio Örebro 2019 na Suécia pela técnica “no touch”

A convite de José Wanderley Neto, Domingos Souza implantou seu procedimento no IDC há seis anos

Domingos Souza disputou o prêmio com mais dois concorrentes e foi escolhido por ampla maioria de votos dos habitantes da região de Örebro, na Suécia, onde está radicado

O pesquisador e cirurgião cardíaco brasileiro Domingos Souza recebeu o Prêmio Örebro 2019 pelo sucesso em um método inovador para cirurgias cardíacas que tem demonstrado resultados importantes para a qualidade de vida e sobrevida de pacientes.

Um número recorde de pessoas participou da votação que o escolheu para a homenagem, promovida por um impresso local de Örebro“É absolutamente fantástico que tantas pessoas votaram em mim e apreciam o meu trabalho”, disse ele.

Domingos Souza desenvolveu uma nova técnica de retirada da veia safena para cirurgia de revascularização coronariana, que chamou de no touch (sem toque, em tradução livre). Sua pesquisa, executada no Hospital Universtário de Örebro, na Suécia – onde está radicado -, já é mundialmente conhecida.  

-É muito bom como brasileiro poder contribuir para que minha nova cidade, Örebro, seja colocada no mapa mundial. Mas o mais importante de tudo é que a tecnologia sem toque desenvolvida aqui em Örebro, esperançosamente, ajudou e ajudará milhões de pacientes em todo o mundo que terão que se submeter a cirurgias coronárias todos os anos – disse ele ao receber o prêmio.

A homenagem foi bastante comemorada pelo cirurgião cardíaco alagoano José Wanderley Neto, que o trouxe a Maceió para orientar sua equipe e implantar pioneiramente no Brasil o método criado por Domingos Souza. “Muito merecida”, disse.

Técnica “sem toque” -  Em uma operação de ponte de safena, um pedaço da veia safena é retirado da perna e suturado na aorta e nas coronárias, contornando a obstrução e criando um novo caminho para a irrigação sanguínea do músculo cardíaco.

Tradicionalmente, o tecido ligado à veia safena é descascado na hora de sua retirada.  A veia então se contrai e o cirurgião injeta solução salina para que se dilate – mas nesse momento há risco de danificar a parede do vaso com os instrumentos.

Domingos Souza descobriu que se mantiver o tecido ao redor, o vaso não se contrai e o  contato direto com os instrumentos é evitado, afastando o risco de dano na parede do vaso.

A ideia nasceu quando ele chegou ao hospital sueco nos anos 80. “Quando tive a ideia, ninguém acreditava. Tenho lutado muito ao longo dos anos. Houve ventos contrários e contrários. Sinto-me honrado que a tecnologia tenha despertado tanto interesse em todo o mundo. Hoje é usada como rotina em muitos hospitais de vários países”, disse Domingos Souza (clique aqui para ver o vídeo da técnica).

A festa de entrega do prêmio, que estava inicialmente prevista para ser realizada em março, ocorreu em 9 de outubro, excepcionalmente sem presença de público em razão da pandemia do novo coronavírus.

Sua descoberta dá a mais cirurgiões cardíacos a oportunidade de oferecer aos seus pacientes uma melhor qualidade de vida e a chance de viver mais.

Aos 65 anos de idade, Domingos Souza é atualmente médico-chefe, cirurgião e professor associado de clínica torácica do Hospital Universitário em Bettorp, Örebro.

Em Alagoas – A homenagem a Domingos Souza repercutiu também no Brasil, principalmente em Alagoas, onde sua técnica foi implantada de forma pioneira no país. O cirurgião cardíaco José Wanderley Neto, responsável por sua vinda, exaltou a conquista do Prêmio Örebro 2019.

- Domingos deu uma contribuição importante para prolongar e melhorar a vida das pessoas. É um homem simples e um grande cientista. Tenho muito orgulho de ser seu amigo e agradeço a sua generosidade de vir a Alagoas e ficar um mês treinando toda nossa equipe com o seu método – disse.

Domingos Souza veio a Maceió em meados de 2014 a convite de José Wanderley para demonstrar sua técnica e participar de um simpósio internacional sobre Revascularização Cirúrgica do Miocárdio, promovida pelo Instituto de Doenças do Coração (IDC). “Há 6 anos fomos os primeiros a usar o procedimento no Brasil graças a sua disposição em compartilhar conosco essa grande conquista da cirurgia cardiovascular”, disse José Wanderley.

Domingos Souza (1º à esquerda) e a equipe de José Wanderley Neto, no IDC, quando de sua segunda vinda a Alagoas para orientar a implantação de sua técnica

 

 

Última modificação em Sexta, 06 Novembro 2020 02:21

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