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Sábado, 23 Janeiro 2021 13:17

Carboidratos: excessos fazem tão mal quanto a gordura

Consumo em excesso pode levar ao diabetes; recomendação é buscar avaliação técnica 

Os carboidratos são a maior fonte de energia que temos na alimentação. Ou seja, quando extrapolamos na ingestão de carboidratos e comemos em excesso, isso é acumulado em forma de gordura. “Esse carboidrato em excesso, que o corpo não precisa, aumenta o peso do paciente e eleva os níveis de açúcar no sangue, a glicemia, o que resulta na elevação da hemoglobina glicada – média da glicose no sangue nos últimos três meses, propiciando o risco cardiovascular aumentado.”

É o que diz o cardiologista Augusto Vilela, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Desse modo, os carboidratos se apresentam como grandes vilões para o coração, uma vez que os pacientes ficam mais suscetíveis ao aparecimento de doenças cardíacas. 

“O excesso de carboidrato aumenta o risco de diabetes, eleva o triglicérides e resulta em um risco maior de infarto e AVC. Por isso, os cardiopatas precisam tomar ainda mais cuidado”, resume.

Para além dos riscos cardiovasculares, o especialista alerta para a capacidade de a ingestão de carboidrato em excesso propiciar o aparecimento do diabetes, bem como o agravamento em casos já diagnosticados.

 Isso porque o carboidrato aumenta os níveis glicêmicos e a resistência insulínica – a dificuldade de a insulina entrar na célula para poder ajustar a glicose no sangue. “Assim, aumenta-se o risco de desenvolver diabetes e deslipidemia por aumento dos triglicérides.”

E o paciente já diagnosticado como diabético deve ter um controle ainda mais rigoroso. Inclusive, o tratamento do diabetes passa por uma restrição de carboidrato. Segundo Vilela, quem tem a doença precisa fazer um consumo mínimo de alimentos ricos em carboidrato, porque aumenta os níveis de açúcar no sangue descontrolando o diabetes.

Nesse cenário, Augusto Vilela recomenda o acompanhamento médico com um nutricionista, a fim de que o consumo de carboidratos se dê de forma saudável. “É importante que haja uma avaliação nutricional. O nutricionista faz esse balanço calórico do paciente e qual a média de calorias que ele deve ingerir por dia, sem cometer excessos.”


Sinais - Augusto Vilela recomenda aos pacientes que fiquem de olho no aumento de peso, bem como da circunferência abdominal e da gordura na região. Há alguns casos em que há o aparecimento de manchinhas em torno da pálpebra do paciente, conhecida como xantelasma.

“Isso indica que está havendo um acúmulo de lipídios (gordura), que podem ser triglicérides, e/ou colesterol. Além disso, a má cicatrização – também sintoma do diabetes – pode ser um indicador de alterações da glicose no sangue”, destaca o cardiologista, que explica, ainda, que a presença de sinais semelhantes aos do diabético tem a ver com a relação direta entre o consumo de carboidrato e o aumento dos níveis de açúcar no organismo.

Cuidados - Tendo em vista os riscos que o consumo exagerado de carboidratos pode oferecer à saúde do organismo e, principalmente, do coração, o cardiologista Augusto Vilela recomenda que os pacientes, além de manter as consultas médicas em dia, estejam atentos aos cuidados básicos no dia a dia, a fim de evitar futuras complicações.

Segundo ele, uma alimentação bem distribuída, com níveis de ingestão e porções essenciais ao corpo, pode ajudar, e muito, no controle e na administração alimentar. “Isso, inclusive, evita que as pessoas comam, por exemplo, dois tipos de carboidratos. Assim, é importante sempre dividir o prato em quatro partes e abastecê-lo com os alimentos importantes para o organismo: carboidrato, salada, carne e legumes. Sem excessos, um em cada parte.”

Vale ressaltar que toda mudança alimentar deve ter assistência médica para que a maneira mais assertiva seja incluída, completa. Além disso, Augusto Vilela indica a prática de atividades físicas e o controle da ansiedade como aliados no combate ao consumo excessivo de carboidratos.

Reduza o consumo - Tendo em vista os malefícios causados pelo consumo excessivo de carboidratos e de açúcares processados, alguns cuidados devem ser tomados, a fim de manter a saúde do coração em dia.

Confira dicas:

O ideal é dividir o prato em quatro partes e em cada uma delas servir porções de alimentos considerados essenciais para a saúde do organismo: 25% de carboidrato, 25% de salada,  25% de carne e 25% de legumes. Fazer essa administração ajuda a evitar a ingestão de dois tipos de carboidrato. Por exemplo, arroz e macarrão ou arroz e batata.

A prática de exercícios ajuda o corpo a queimar o carboidrato em excesso, evitando que ele eleve no sangue o nível da glicose e do triglicérides.

A ansiedade faz com que muitos pacientes tenham compulsão por doce. Então, o controle da ansiedade reduz, e muito, essa compulsão, o que reflete, também, na redução do consumo em excesso. A saúde agradece.

O que você come que é carboidrato?

Muitas vezes, você come diariamente muitos carboidratos e nem sabe. Por isso, saber quais alimentos são considerados carboidratos e quais não são é de suma importância para que o controle seja estabelecido. Confira abaixo frutas, vegetais e alimentos processados que são carboidratos:

Frutas- Abacate, morango, limão, banana, tomate e caju

Vegetais- Batatas inglesa, baroa e doce; mandioca e inhame

Alimentos minimamente processados- Feijão, arroz, farinha de mandioca, sucos de caju, carnes e pescados frescos

Alimentos processados- Carne seca, pães feitos com farinha de trigo, queijos e frutas cristalizadas

Alimentos ultraprocessados- Biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes, macarrão instantâneo e cereais açucarados.

Atenção! Lembre-se de evitar o consumo simultâneo de dois ou mais carboidratos na mesma refeição.

 

 

Do em.com.br

 

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